segunda-feira, 21 de julho de 2014

Vídeo viral: "Crianças podem acabar com o racismo"

Tyler James, um menino de ascendência africana, foi recebido com abraços pelos seus colegas da creche, nos EUA, depois de ter estado ausente durante uma semana. O pai filmou com o telemóvel a calorosa reação e publicou um vídeo no Youtube, que se tornou viral.
Shawn Harris, pai de Tyler, ficou maravilhado com o que viu e escreveu: “Adoro isto. As crianças podem mesmo acabar com o racismo. Este vídeo é a prova e que o racismo é ensinado”. E acrescentou: “Este pequeno filme  pode alterar o modo como as pessoas adultas se tratam entre si.”

No vídeo, podemos escutar a educadora da creche a avisar as crianças: “Atenção, o Tyler está de volta!”. 




“Tyler, Tyler”, ouvimos o coro de vozes dos mais pequenos, até que uma menina se dirige ao amigo, dá-lhe um grande abraço, e faz-lhe festas carinhosas no cabelo afirmando: “Tyler, eu gosto do teu cabelo!”. 

O vídeo foi publicado a 25 de Junho e já conta com mais de 500 mil visualizações e centenas de comentários, a maior parte deles num tom otimista. "Acredito sinceramente que a nova geração de americanos vai criar uma sociedade mais tolerante e respeitadora", diz uma das utilizadoras.


Fonte:http://boasnoticias.pt//noticias_video-viral-criancas-podem-acabar-com-o-racismo_20269.html?page=0


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hoje é comemorado 1° Mandela Day desde a morte do líder

Hoje é comemorado o primeiro Mandela Day desde a morte do ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela em dezembro do ano passado, aos 95 anos.    
A data, que é comemorada no dia de seu aniversário, foi estabelecida pelas Nações Unidas (ONU) em 2009 para homenagear o líder sul-africano e inspirar as pessoas a fazer o bem.   
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que "no ano passado, o mundo perdeu um de seus maiores líderes quando Nelson Mandela faleceu", "nós lembramos seu legado, especialmente em seu aniversário, 18 de julho".    
"Sua extraordinária compaixão após 27 anos mostrou que os direitos humanos e igualdades são mais fortes que a discriminação e o ódio", acrescentou.    Ban destacou que o Apartheid se foi, mas o planeta ainda enfrenta problemas terríveis, como pobreza, discriminação, mudanças climáticas, conflitos, entre outros.    

"O Nelson Mandela Day é um chamado à ação. Cada um de nós pode celebrar este dia ajudando a resolver problemas reais em nossa comunidade. Juntos, podemos dar um grande significado a nossa celebração, criando o caminho para um futuro melhor", concluiu.    A Fundação Nelson Mandela declarou, em comunicado, que "nossa mensagem tem que ser essa: o Senhor Mandela se foi, mas seu legado continua vivo; Ele se foi, mas o trabalho que ele começou terá continuidade".    
Ainda de acordo com a fundação, o Mandela Day não diz respeito a gestos simbólicos. "Não diz respeito a 'um dia de generosidade e depois voltar a rotina normal'", mas é uma "campanha para construir uma cultura de ajuda. Para encorajar as pessoas a tomar responsabilidade de fazer o mundo um lugar melhor para todos".    Nelson Rolihlahla Mandela, também conhecido como Madiba, nasceu em 18 de julho de 1918, na cidade de Mvezo, na África do Sul.    
Líder da luta contra a segregação racial na África do Sul, ele passou quase 30 anos na cadeia. Ele foi solto somente em 11 de fevereiro de 1990, em razão da pressão dentro e fora do país. O então presidente da África do Sul, Frederik Willem de Klerk, com que dividiu o Prêmio Nobel da Paz anos mais tarde, intercedeu por sua soltura.    

Em 1994 ele assumiu como primeiro presidente negro do país, cargo que ocupou até 1999, período durante o qual comandou a transição política da nação.    
Após passar vários meses hospitalizado por conta de uma infecção pulmonar reincidente em 2013, ele faleceu aos 95 anos.

Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2014/07/18/hoje-e-comemorado-1-mandela-day-desde-a-morte-do-lider-2/?from_rss=None

terça-feira, 15 de julho de 2014

Primeira negra a ganhar ouro olímpico, Alice Coachman morre aos 90 anos


Americana conquistou medalha no salto em altura nas Olimpíadas de 1948, em Londres. Alice estava entre as 100 maiores figuras olímpicas da história.




Alice Coachman faleceu aos 90 anos. Ela é uma das 100 maiores figuras olímpicas da história


Alice Coachman entrou para a história das Olimpíadas em 1948. Durante os Jogos de Londres, o primeiro após a Segunda Guerra Mundial, a americana nascida em Albany, estado da Georgia, tornou-se a primeira mulher negra a conquistar um ouro olímpico. Eternizada na história, Alice faleceu nesta segunda-feira, aos 90 anos. Em abril, a vencedora do salto em altura em Londres sofreu um AVC e desde então sua condição de saúde era precária.

Alice Coachman durante uma prova do salto em altura, quando jovem
Alice está no Hall da Fama do atletismo norte-americano desde 1975 e foi nomeada em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta, como uma das 100 maiores figuras olímpicas da história. Ela também foi precursora na área da publicidade entre os atletas. Em 1952, assinou um contrato de patrocínio com a Coca-Cola, sendo a primeira mulher negra a conseguir tal feito.

Sua medalha olímpica veio aos 24 anos, em sua primeira e única Olimpíadas. Ela venceu a prova do salto em altura com 1,68m como marca, e ganhou a medalha das mãos do Rei George VI. Um ano depois, se aposentou do atletismo. Alice conquistou 34 títulos americanos e foi campeã por 10 anos seguidos.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2014/07/primeira-negra-ganhar-ouro-olimpico-americana-morre-aos-90-anos.html

Livro “Brasil e África: laços poéticos” será lançado na Bienal de São Paulo

Os autores Dye Kassembe, Valdeck Almeida de Jesus, Walter S e Eduardo Quive estreitam laços literários entre países lusófonos

Antologia com poemas de autores do Brasil e África
Depois de ser lançado em Angola e em Genebra, será feita exposição e venda do livro “Brasil e África: laços poéticos” vão acontecer durante o 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 22 a 31 de agosto de 2014, no Anhembi, São Paulo, no estande da PerSe Editora.


A obra literária foi ideia do brasileiro Valdeck Almeida, que se juntou a Dye Kassembe, Walter S e Eduardo Quive. Durante meses trocaram correspondências até chegar ao formato do livro, que reúne poemas de cunho social, cada autor com foco nos problemas e vivências em seus países de origem. No prefácio, o historiador e escritor português Pedro Silva afirma que “entre a poetisa Dye Kassembe e os poetas Eduardo Quive, Walter S e Valdeck Almeida de Jesus algo os distingue em termos de estilo e temáticas adotadas. No entanto, muito os une em termos de paixão por aquilo que fazem. Esse sentimento perpassa, de forma transversal, todo o conjunto de textos aqui reunidos”.

Inicialmente o projeto seria lançado no Brasil, mas acabou sendo abraçado por Dye Kassembe, cuja paixão pela poesia lhe fez apresentar os poemas em Angola. A edição angolana saiu pela Editora das Letras, especialmente para a Semana Cultural Moçambique-Angola, em 2013. Para os autores participantes foi uma honra e uma oportunidade de divulgação entre poetas africanos, estreitando os laços poéticos e literários entre países de língua portuguesa. Agora em versão limitada, pela editora brasileira Galinha Pulando, a antologia alça voos na Europa.

Os autores
Dye Kassembe (Amélia de Fátima Cardoso) nasceu em Angola. Aluna exemplar, foi noviça no convento de São José de Cluny onde fez todo ensino secundário. Licenciada em Ciências humanas opçâo filosofia polîtica do desenvolvimento na Universidade de Paris VIII St. Denis - França onde vive há trinta anos.

Valdeck Almeida de Jesus (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz e da União Brasileira de Escritores.

Walter “S” – um mero poeta. De nome próprio Walter Dos Santos, nasceu em Luanda-Angola, a 03 de Dezembro. Católico Romano, de família modesta e humilde. Estudos primários na Escola Defesa Civil, Neves Bendinha e Escolinha da Paz, em Viana. Cursou Ciências Sociais e Mat. Física, no PUNIV da ENPPI, Kapolo 2 e IMNE Marista “Cristo Rei”, em Luanda, respectivamente. Estudante de Economia e Gestão na UCAN, de Letras na UCB e igualmente frequenta a AIU, na Especialidade de Tecnologias de Informação. Técnico de Seguros e Pensões numa Companhia de Seguros, em Luanda.

Eduardo Quive reside na Matola, província de Maputo. É jornalista cultural do semanário @Verdade (verdade.co.mz) e é director editorial da Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona (revistaliteratas.blogspot.com) e corespondente do jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras – dentre outros órgãos de informação no Brasil. O seu primeiro livro de poesia intitula-se “Lágrimas da Vida Sorrisos da Morte” (FUNDAC, 2012). É membro fundador do Movimento Literário Kuphaluxa do Centro Cultural Brasil – Moçambique.

Serviço
O que: Exposição e venda do livro “Brasil e África: laços poéticos”
Quando: 22 a 31 de agosto de 2014
Onde: Estande da PerSe Editora – 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Fonte: http://www.iteia.org.br/jornal/livro-brasil-e-africa-lacos-poeticos-sera-lancado-na-bienal-de-sao-paulo

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Na Moral: as Xicas da Silva da ficção comentam sobre racismo

As atrizes Zezé Motta e Taís Araújo vão falar sobre as novelas que protagonizaram. 'Eu não sofri tanto quanto a geração da Zezé', diz Taís

Zezé Motta e Taís Araújo participam do Na Moral (Foto: Na Moral/TV Globo)

Uma Xica da Silva do cinema e outra da telenovela. Zezé Motta e Taís Araújo são as convidadas para lá de especiais do Na Moral desta quinta-feira, dia 10, para debater sobre um tema polêmico e ainda atual: o racismo.
Enquanto Zezé sofreu duras críticas ao protagonizar cenas de relações amorosas inter-raciais, como em Corpo a Corpo (1984), quando fez par romântico com Marcos Paulo, Taís Araújo encontrou um público menos preconceituoso ao fazer par romântico com o galã Reynaldo Gianecchini, em "Da Cor do Pecado". "Eu não sofri tanto quanto a geração da Zezé. Mesmo assim, ainda temos muito a evoluir", disse Taís.
Ela interpretou a primeira Xica da Silva, no filme de Cacá Diegues. Foi par romântico em 1986 do galã da televisão daquela época, o ator Marcos Paulo, e mesmo assim sofreu muito com o preconceito racial do público brasileiro. Experiências que sofreu na infância e durante sua carreira fez de Zezé Motta militante do Movimento Negro Contra o Racismo.
"Adoro participar desse tipo de programa e desse tipo de discussão. E infelizmente enquanto houver racismo no Brasil, a gente tem que continuar debatendo e denunciando", disse a atriz, que vai contar experiências de arrepiar que sofreu durante sua trajetória na televisão.

Taís Araújo diz não ter sofrido tanto preconceito em sua carreira (Foto: TV Globo / Na Moral)

Fonte: http://gshow.globo.com/programas/na-moral/por-tras-das-cameras/noticia/2014/07/na-moral-as-xicas-da-silva-da-ficcao-comentam-sobre-racismo.html

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pesquisa revela que mulheres negras estão fora do cinema nacional

Apesar de ser a maior parte da população feminina do país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragem entre os anos de 2002 e 2012. Além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade



Por Isabela Vieira, da Agência Brasil.
As mulheres negras* não estão nas telas de cinema, nem atrás das câmeras. Pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que pretas e pardas não figuraram nos filmes nacionais de maior bilheteria. Apesar de ser a maior parte da população feminina do país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragem entre os anos de 2002 e 2012. Além disso, atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal de filmes nacionais. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista.
Coordenada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, a pesquisa A Cara do Cinema Nacionalsugere que as produções para as telonas não refletem a realidade do país, uma vez que 53% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prejuízo, na avaliação das autoras do estudo, é a influência de determinados valores sobre a audiência.
“Pelos dados, a população brasileira é diversa, mas essa diversidade não se transpõe para ambientes de poder e com maior visibilidade”, disse uma das autoras, a mestranda Marcia Rangel Candido. Ela acrescenta que, além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade. “As mulheres brancas exercem vários tipo de emprego, são de várias classes sociais, a diversidade é maior”, destaca.
A doutoranda Verônica Tofte, coautora da pesquisa, diz que a baixa representatividade de mulheres em postos mais altos do cinema – elas ocupam 14% dos cargos de direção e 26% dos postos de roteiristas entre os filmes mais vistos -, além da invisibilidade das negras no elenco, são distorções da sociedade. “A ausência de mulheres, principalmente as negras, nesses papéis gera baixa representação e reproduz uma visão irreal do Brasil.” De acordo com a pesquisa, nenhuma das diretoras ou das roteiristas entre os filmes pesquisados era negra.
Para chegar ao perfil racial, a pesquisa comparou imagens de 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes, excluindo documentários e filmes infantis. “Usamos um modelo de identificação em que o pesquisador é que define o grupo racial ao qual pertence o sujeito”, esclareceu Marcia. Na classificação, para a comparação, foi utilizada uma escala de fotos de oito indivíduos, do mais branco para o mais preto, estabelecida em trabalhos científicos anteriores.
A lista dos filmes mais vistos no período é da Agência Nacional do Cinema (Ancine), organização que, na avaliação do premiado cineasta negro Joel Zito Araújo, deveria ter um papel ativo na promoção da diversidade no audiovisual. Ao avaliar a pesquisa do Iesp, ele disse que a agência precisa atuar. “Somente quem governa, que tem poder de criar políticas públicas, é que pode criar paradigmas para a nação e resolver essa profunda distorção”, disse.
Apesar de ter a função de fomentar e regular o setor, procurada, a Ancine informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes, elenco ou qualquer coisa do tipo”.
Especialistas avaliam que há racismo na produção audiovisual brasileira
A baixa participação de mulheres negras* no cinema nacional é consequência de um elemento estrutural na sociedade brasileira: o racismo. A avaliação é do cineasta Joel Zito Araújo, que comentou pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sobre os filmes brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012. Para a diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, a escolaridade e o acesso a recursos para a produção audiovisual poderiam reverter esse quadro.
O estudo A Cara do Cinema Nacional constatou que nenhum dos 218 longas-metragem nacionais analisados contou com uma mulher negra na direção ou no roteiro. A presença delas nas telas também é baixa: atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal desses filmes.
Segundo Araújo, que é P.H.D. pela Universidade de São Paulo (USP), aliado ao racismo, que invisibiliza produtores negros no cenário nacional, o padrão estético das produções atuais ainda está calçado em ideias do período colonial, provocando distorções em todas as artes, inclusive no cinema. “A supremacia branca, o reforço da representação dos brancos como uma ‘natural’ representação do humano é chave para tudo isso. O negro representa o outro, o feio, o pobre, o excluído, a minoria não desejada.” Por isso, segundo ele, não está nas telas.
A opinião do cineasta é a mesma da coautora da pesquisa da Uerj, a doutoranda Verônica Tofte, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp). Ela lembra que o Estatuto da Igualdade Racial tratou de prever a igualdade de oportunidades em produções audiovisuais, mas as leis são vagas e insuficientes para mudar a cara do cinema. “O Brasil tem uma legislação para tratar dessa situação, de conferir oportunidades iguais, no entanto, ela é burlada, sem fiscalização.” Verônica defende a distribuição de recursos do audiovisual para realizadores negros.
A diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, reconhece que é baixa a presença de pessoas pretas e pardas em posições de mais visibilidade e prestígio no cinema, como o elenco, a direção e a produção de roteiros. Para ela, o problema começa na formação. “O cinema é uma arte muito complexa, envolve uma indústria, precisa de editais, recursos, se você tem uma escolaridade, chegará lá. Acontece que, na nossa sociedade, o negro está excluído em várias áreas”, avaliou, em relação à subrepresentação. “O cinema reflete o que é a sociedade”, completou.
O presidente do Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual, Luiz Antonio Gerace, não vê como um problema a ausência de mulheres negras no cinema. Segundo ele, a exclusão pode diminuir a partir do maior acesso a cursos de audiovisual. “É verdade que as mulheres ocupam mais os cargos de assistente de figurino e camareira do que direção e roteiro. Mas se fizer faculdade, por exemplo, vai ter a mesma chance que os outros.”
O argumento da educação, no entanto, é frágil, na avaliação de Joel Araújo. Para ele, a solução passa por políticas públicas. “Cabe à Ancine [Agência Nacional do Cinema] buscar meios para resolver essa distorção profunda. E não ficar esperando que uma futura desejada educação de qualidade para todos extermine o nosso racismo estrutural”, destacou.
Procurada pela Agência Brasil, a Ancine, que tem a função de fomentar e regular o setor, informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes ou elenco”. Já o Ministério da Cultura informou ter investido R$ 5,1 milhões em editais de produção audiovisual este ano. Desse total, R$ 2,8 milhões foram destinados a jovens realizadores negros, cuja contratação foi feita em 2012.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2014-07/pesquisa-revela-que-mulheres-negras-estao-fora-do-cinema-nacional

As gurus da beleza negra na internet

O ramo da beleza tem ganhado cada vez mais visibilidade na internet. Mas qual espaço – e o papel – das blogueiras, vlogueiras e “youtubers” negras nesse território?
Há um novo nicho de mercado que vem ganhando cada vez mais espaço online: o ramo de beleza. Muitas garotas sonham em criar um blogue ou um canal no Youtube e com isso conseguir ganhar dinheiro para se sustentar, além de receber produtos enviados pelas empresas em troca de resenhas e propagandas. No Brasil, esse mercado vem tomando força e hoje já existem muitas jovens blogueiras que se tornaram celebridades na internet. É importante debater, no entanto, sobre a relevância social desses novos cargos e profissões e a forma como continuam a reproduzir velhos preconceitos. Entre tantos estereótipos de gênero, a heteronormatividade e o estímulo ao consumo, destaco as questões raciais.
Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% das pessoas brasileiras se identificam como pretas ou pardas; ou seja, mais da metade da população do país se reconhece como negra. Mas apesar do povo brasileiro ser bastante miscigenado e não se parecer tanto assim com o ideal de beleza branco europeu, nota-se que as moças que ganham mais visibilidade e dinheiro com blogues e redes sociais são, em sua maioria, brancas, loiras, magras e de classe social média ou alta. Mas por que será?

Beatriz Andrade, do blogue Jeitinho Próprio
O ramo da blogagem sobre beleza, primeiramente, acaba ficando restrito somente às entusiastas com boas condições financeiras, pois para começar a falar de cosméticos e cabelo é necessário algum investimento inicial com produtos. Somente assim é possível chamar atenção de alguma loja ou empresa, que consequentemente pode vir a enviar mercadorias em troca de divulgação. Não é preciso muita investigação para descobrir que há uma grande disparidade de renda no Brasil, que se concentra em uma minoria branca da população.
Em segundo lugar, pouquíssimos produtos são feitos para mulheres que não se enquadram nesses padrões de beleza. São poucas as marcas de maquiagem que fabricam cosméticos para atender tons de pele mais escuros, assim como os produtos para cabelos são predominantemente voltados para promover os cabelos lisos. Por isso é tão difícil encontrar uma blogueira ou youtuber negra, de cabelos naturais e, especialmente, de pele escura.
É possível traçar hipóteses para explicar essa ausência ou falta de visibilidade das blogueiras e youtubersnegras. Afinal, elas existem – só não fazem tanto sucesso como as loiras. Ao fazermos um resgate histórico e sociocultural, revela-se que a internet ainda não é acessível a todos. Mas acima de tudo, resta a hipótese de que o público simplesmente prefere assistir a quem se encaixa no padrão de beleza branco e magro.
É essencial pesquisar e estudar mais profundamente essa área; afinal, um novo campo está se abrindo para as mais diversas vertentes do conhecimento. Para dar o pontapé inicial, vejamos o que algumas blogueiras e vlogueiras negras têm a dizer sobre o assunto.
Colaboração e sororidade entre mulheres negras
Rosângela José é uma vlogueira de 35 anos formada em Administração de Empresas. Sua experiência com o universo da beleza negra feminina na internet começou em 2009, quando decidiu parar de alisar os cabelos. Estimulada por amigas com quem já conversara a respeito de maquiagem, Rosângela começou a gravar vídeos e hoje é tida como referência por várias garotas no mundo virtual. “Eu acredito que as dicas compartilhadas no meu canal, o modo como eu lido com meu cabelo incentiva outras meninas e mulheres negras, até pelo retorno que tenho de algumas, através de comentários, e-mails e mensagens no Facebook”, reconhece. E ela está completamente certa; sua representatividade foi inspiradora o bastante para Beatriz Andrade, designer gráfica de 27 anos, que também é guru de beleza: “Ela é um mega exemplo, transborda  autoestima, ela é demais e sou super fã!”.
fernanda chaves do blog cantinho da nanda
Fernanda Chaves, do blogue Cantinho da Nanda
Os laços que essas mulheres, a princípio desconhecidas, criam entre si podem muitas vezes ser invisíveis e distantes, mas também podem culminar em parcerias que despertam debates políticos e sororidade. Um exemplo disso é o vídeo que Rosângela gravou com outra youtubernegra, a Fabiana Lima, do canal “Beleza de Preta”. Em meio a relatos de experiências pessoais e falas politizadas, as duas blogueiras levantam questões pertinentes para todas as mulheres negras, independente de qualquer interesse em cosméticos e produtos capilares.
Assim, fica perfeitamente evidente a relevância social da temática. Afinal, falar de “beleza” não é, necessariamente, falar de coisas fúteis e superficiais. Para as blogueiras negras, esse assunto é, em primeiro lugar, uma chamada de atenção para o ativismo social, especialmente os movimentos feministas e negros.
Resistência ao racismo
Para as blogueiras negras do ramo, não é nenhuma novidade: são frequentes os episódios em que o racismo se fez presente em seus canais e páginas. Passando-se por simples comentários ofensivos, até perseguições mais severas, quase todas as entrevistadas constataram ter presenciado racismo e que existe, de fato, preferência pelas moças brancas e loiras para divulgar e trabalhar com cosméticos.
No entanto, apesar das dificuldades, para algumas blogueiras os comentários positivos servem de fortalecimento – é o caso de Fernanda Chaves, mãe e dona de casa de 26 anos. Nanda – como é conhecida na internet – define-se como “neutra” quando o assunto é política, mas lamenta que ainda existam coisas como racismo e machismo. Ainda assim, ela salienta que as mulheres negras, em suas palavras, devem fazer a parte que lhes cabe e “mostrar que não são piores do que ninguém”.
michelle shirai do canal mi shirai
Michelle Shirai, do canal Mi Shirai
youtuber Gill Viana, que trabalha exclusivamente com os assuntos estéticos na internet, parece concordar com a ideia de que a melhor resposta para o racismo é fazer um bom trabalho. “Existe racismo em todos os lados e no YouTube e no mundo da blogosfera não seria diferente. Acho que vai de cada uma ir lá e buscar seu lugar ao sol, mostrando com seu trabalho que é tão capaz como outra qualquer”, diz a blogueira de 28 anos.
Beleza politizada
A paulistana Maraisa Fidelis é uma das blogueiras negras mais conhecidas no mundo dos cosméticos e, para ela, toda a questão é bem objetiva: “Você faz o seu trabalho e quem decide a audiência é o público. Se te assistem, as empresas te olham; se não te assistem, as empresas não te olham. Simples assim.” Apesar de reconhecer que há poucas mulheres negras protagonizando o mundo virtual da beleza no Brasil, Maraisa diz que nunca sofreu discriminação e que se esforça para não envolver assuntos como racismo em seu blogue, pois prefere deixar seu espaço voltado somente para os assuntos estéticos.
fernnandah oliveira do blog criloura
Fernnandah Oliveira, do blogue Criloura
Não obstante, a fala de Maraisa não pode ser tomada como fechada, uma vez que ela mesma reconhece a importância de seu trabalho no fortalecimento da autoestima de garotas negras. E não é à toa: há cerca de oito meses, a blogueira resolveu assumir seu cabelo natural e hoje embeleza o Youtube com seu crespo empoderado. Apesar de seu blogue não ser direcionado apenas às meninas de cabelo cacheado, certamente há muitas garotas que se sentem representadas e fortalecidas para seguir o exemplo deixado pela vlogueira.
Já Fernnandah Oliveira, mais conhecida como Criloura, foi uma das entrevistadas mais politizadas e seguras de sua fala. A assistente social de 36 anos domina o universo dos cabelos e maquiagens, mas também participa ativamente de grupos de discussão sobre machismo e racismo. Suas perspectivas são bem diferentes das de Maraisa: “Penso que a beleza está dentro de um processo de subjetividade da autoestima e da aceitação. A partir deste viés é possível apresentar como a cidadania, enquanto espaço e processo de reconhecimento e garantia de direitos e deveres, está diretamente ligada neste processo”, afirma. De modo similar, ela considera necessário expor e mexer nas feridas deixadas pelo racismo nos canais de beleza. “Para quem duvida, é só contar o número de blogueiras e vlogueiras negras que estão entre as tops e as brancas. É disparado ver como há uma diferença em números e qualidade, sobre a inserção de mulheres e homens negros neste universo de blogs e vlogs de moda e beleza”.
gill vianna do blog coisas de uma cacheada
Gill Vianna, do blogue Coisas de Uma Cacheada
Ainda sobre os possíveis vínculos entre a política e a beleza, a vlogueira Michelle Shirai, brasileira de 30 anos que mora no Japão, declara que nunca sofreu discriminação online, mas entende de forma muito positiva a sua influência política sobre sua audiência: “Meu trabalho com os vídeos não é só falar de beleza, mas também de encontrar a verdadeira identidade, crespa, cacheada, negra de pele escura ou clara, ter orgulho dos traços e formas. Envolve respeito e a minha união com muitas outras blogueiras e youtubers negras. Dá força, coragem e amor próprio de não ligar pro que a sociedade acha ou impõe como deveríamos nos vestir, ou usar os cabelos”.
Como pode-se perceber, a importância e a influência do trabalho das blogueiras e youtubers para as mulheres negras é evidente, até mesmo para aquelas que não são engajadas politicamente contra o racismo e a misoginia.
A beleza do ativismo
É extremamente importante que todas as mulheres negras que trabalham com moda, cabelo e cosméticos na internet saibam do potencial que seus espaços possuem para gerar transformação social. Essas ferramentas são tão pertinentes que, mesmo sem a intenção das blogueiras, as pessoas que as acompanham não permanecem as mesmas após assistirem a seus vídeos e verem suas fotos.
maraisa fidelis do blog beleza interior
Maraisa Fidelis, do blogue Beleza Interior
Infelizmente, ainda é impactante ver mulheres negras seguras de si, ostentando seus cabelos naturais e sem vergonha de seus traços faciais. Afinal, somos todos condicionados a valorizar e apreciar somente a beleza branca. Para as crianças negras envolvidas por nossa cultura, é ainda mais importante que esse trabalho continue a ser feito, possibilitando para elas uma autoestima muito mais segura e livre do racismo internalizado.
Nesse aspecto, todas as blogueiras entrevistadas falam sobre isso e, de certa forma, acabam sendo ativistas por meio do seu trabalho. Beatriz Andrade consegue definir esse processo quando diz que “a medida que compreende-se a autoestima, diminui-se o pré-conceito, pois o autoconhecimento provoca uma liberdade que nem o racismo ou machismo são suficientes para manter no cativeiro interior”. Sua mensagem, assim como de todas as outras gurus, é de que cada mulher negra se aceite e se ame, que supere as violências sofridas desde que veio ao mundo e que, a partir daí, mostre a que veio. Se isso não é militância, nada mais é.
rosangela jose do blog negra rosa rosa negra
Rosângela José, do blogue Negra Rosa, Rosa Negra
Fonte: www.revistaforum.com.br/digital/153/gurus-da-beleza-negra-na-internet/