quinta-feira, 10 de julho de 2014

Na Moral: as Xicas da Silva da ficção comentam sobre racismo

As atrizes Zezé Motta e Taís Araújo vão falar sobre as novelas que protagonizaram. 'Eu não sofri tanto quanto a geração da Zezé', diz Taís

Zezé Motta e Taís Araújo participam do Na Moral (Foto: Na Moral/TV Globo)

Uma Xica da Silva do cinema e outra da telenovela. Zezé Motta e Taís Araújo são as convidadas para lá de especiais do Na Moral desta quinta-feira, dia 10, para debater sobre um tema polêmico e ainda atual: o racismo.
Enquanto Zezé sofreu duras críticas ao protagonizar cenas de relações amorosas inter-raciais, como em Corpo a Corpo (1984), quando fez par romântico com Marcos Paulo, Taís Araújo encontrou um público menos preconceituoso ao fazer par romântico com o galã Reynaldo Gianecchini, em "Da Cor do Pecado". "Eu não sofri tanto quanto a geração da Zezé. Mesmo assim, ainda temos muito a evoluir", disse Taís.
Ela interpretou a primeira Xica da Silva, no filme de Cacá Diegues. Foi par romântico em 1986 do galã da televisão daquela época, o ator Marcos Paulo, e mesmo assim sofreu muito com o preconceito racial do público brasileiro. Experiências que sofreu na infância e durante sua carreira fez de Zezé Motta militante do Movimento Negro Contra o Racismo.
"Adoro participar desse tipo de programa e desse tipo de discussão. E infelizmente enquanto houver racismo no Brasil, a gente tem que continuar debatendo e denunciando", disse a atriz, que vai contar experiências de arrepiar que sofreu durante sua trajetória na televisão.

Taís Araújo diz não ter sofrido tanto preconceito em sua carreira (Foto: TV Globo / Na Moral)

Fonte: http://gshow.globo.com/programas/na-moral/por-tras-das-cameras/noticia/2014/07/na-moral-as-xicas-da-silva-da-ficcao-comentam-sobre-racismo.html

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pesquisa revela que mulheres negras estão fora do cinema nacional

Apesar de ser a maior parte da população feminina do país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragem entre os anos de 2002 e 2012. Além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade



Por Isabela Vieira, da Agência Brasil.
As mulheres negras* não estão nas telas de cinema, nem atrás das câmeras. Pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que pretas e pardas não figuraram nos filmes nacionais de maior bilheteria. Apesar de ser a maior parte da população feminina do país (51,7%), as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragem entre os anos de 2002 e 2012. Além disso, atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal de filmes nacionais. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista.
Coordenada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, a pesquisa A Cara do Cinema Nacionalsugere que as produções para as telonas não refletem a realidade do país, uma vez que 53% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prejuízo, na avaliação das autoras do estudo, é a influência de determinados valores sobre a audiência.
“Pelos dados, a população brasileira é diversa, mas essa diversidade não se transpõe para ambientes de poder e com maior visibilidade”, disse uma das autoras, a mestranda Marcia Rangel Candido. Ela acrescenta que, além da “total exclusão” nos cargos técnicos, a representação no elenco está limitada a estereótipos associadas à pobreza e à criminalidade. “As mulheres brancas exercem vários tipo de emprego, são de várias classes sociais, a diversidade é maior”, destaca.
A doutoranda Verônica Tofte, coautora da pesquisa, diz que a baixa representatividade de mulheres em postos mais altos do cinema – elas ocupam 14% dos cargos de direção e 26% dos postos de roteiristas entre os filmes mais vistos -, além da invisibilidade das negras no elenco, são distorções da sociedade. “A ausência de mulheres, principalmente as negras, nesses papéis gera baixa representação e reproduz uma visão irreal do Brasil.” De acordo com a pesquisa, nenhuma das diretoras ou das roteiristas entre os filmes pesquisados era negra.
Para chegar ao perfil racial, a pesquisa comparou imagens de 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes, excluindo documentários e filmes infantis. “Usamos um modelo de identificação em que o pesquisador é que define o grupo racial ao qual pertence o sujeito”, esclareceu Marcia. Na classificação, para a comparação, foi utilizada uma escala de fotos de oito indivíduos, do mais branco para o mais preto, estabelecida em trabalhos científicos anteriores.
A lista dos filmes mais vistos no período é da Agência Nacional do Cinema (Ancine), organização que, na avaliação do premiado cineasta negro Joel Zito Araújo, deveria ter um papel ativo na promoção da diversidade no audiovisual. Ao avaliar a pesquisa do Iesp, ele disse que a agência precisa atuar. “Somente quem governa, que tem poder de criar políticas públicas, é que pode criar paradigmas para a nação e resolver essa profunda distorção”, disse.
Apesar de ter a função de fomentar e regular o setor, procurada, a Ancine informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes, elenco ou qualquer coisa do tipo”.
Especialistas avaliam que há racismo na produção audiovisual brasileira
A baixa participação de mulheres negras* no cinema nacional é consequência de um elemento estrutural na sociedade brasileira: o racismo. A avaliação é do cineasta Joel Zito Araújo, que comentou pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sobre os filmes brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012. Para a diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, a escolaridade e o acesso a recursos para a produção audiovisual poderiam reverter esse quadro.
O estudo A Cara do Cinema Nacional constatou que nenhum dos 218 longas-metragem nacionais analisados contou com uma mulher negra na direção ou no roteiro. A presença delas nas telas também é baixa: atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal desses filmes.
Segundo Araújo, que é P.H.D. pela Universidade de São Paulo (USP), aliado ao racismo, que invisibiliza produtores negros no cenário nacional, o padrão estético das produções atuais ainda está calçado em ideias do período colonial, provocando distorções em todas as artes, inclusive no cinema. “A supremacia branca, o reforço da representação dos brancos como uma ‘natural’ representação do humano é chave para tudo isso. O negro representa o outro, o feio, o pobre, o excluído, a minoria não desejada.” Por isso, segundo ele, não está nas telas.
A opinião do cineasta é a mesma da coautora da pesquisa da Uerj, a doutoranda Verônica Tofte, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp). Ela lembra que o Estatuto da Igualdade Racial tratou de prever a igualdade de oportunidades em produções audiovisuais, mas as leis são vagas e insuficientes para mudar a cara do cinema. “O Brasil tem uma legislação para tratar dessa situação, de conferir oportunidades iguais, no entanto, ela é burlada, sem fiscalização.” Verônica defende a distribuição de recursos do audiovisual para realizadores negros.
A diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, reconhece que é baixa a presença de pessoas pretas e pardas em posições de mais visibilidade e prestígio no cinema, como o elenco, a direção e a produção de roteiros. Para ela, o problema começa na formação. “O cinema é uma arte muito complexa, envolve uma indústria, precisa de editais, recursos, se você tem uma escolaridade, chegará lá. Acontece que, na nossa sociedade, o negro está excluído em várias áreas”, avaliou, em relação à subrepresentação. “O cinema reflete o que é a sociedade”, completou.
O presidente do Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual, Luiz Antonio Gerace, não vê como um problema a ausência de mulheres negras no cinema. Segundo ele, a exclusão pode diminuir a partir do maior acesso a cursos de audiovisual. “É verdade que as mulheres ocupam mais os cargos de assistente de figurino e camareira do que direção e roteiro. Mas se fizer faculdade, por exemplo, vai ter a mesma chance que os outros.”
O argumento da educação, no entanto, é frágil, na avaliação de Joel Araújo. Para ele, a solução passa por políticas públicas. “Cabe à Ancine [Agência Nacional do Cinema] buscar meios para resolver essa distorção profunda. E não ficar esperando que uma futura desejada educação de qualidade para todos extermine o nosso racismo estrutural”, destacou.
Procurada pela Agência Brasil, a Ancine, que tem a função de fomentar e regular o setor, informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes ou elenco”. Já o Ministério da Cultura informou ter investido R$ 5,1 milhões em editais de produção audiovisual este ano. Desse total, R$ 2,8 milhões foram destinados a jovens realizadores negros, cuja contratação foi feita em 2012.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2014-07/pesquisa-revela-que-mulheres-negras-estao-fora-do-cinema-nacional

As gurus da beleza negra na internet

O ramo da beleza tem ganhado cada vez mais visibilidade na internet. Mas qual espaço – e o papel – das blogueiras, vlogueiras e “youtubers” negras nesse território?
Há um novo nicho de mercado que vem ganhando cada vez mais espaço online: o ramo de beleza. Muitas garotas sonham em criar um blogue ou um canal no Youtube e com isso conseguir ganhar dinheiro para se sustentar, além de receber produtos enviados pelas empresas em troca de resenhas e propagandas. No Brasil, esse mercado vem tomando força e hoje já existem muitas jovens blogueiras que se tornaram celebridades na internet. É importante debater, no entanto, sobre a relevância social desses novos cargos e profissões e a forma como continuam a reproduzir velhos preconceitos. Entre tantos estereótipos de gênero, a heteronormatividade e o estímulo ao consumo, destaco as questões raciais.
Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 50% das pessoas brasileiras se identificam como pretas ou pardas; ou seja, mais da metade da população do país se reconhece como negra. Mas apesar do povo brasileiro ser bastante miscigenado e não se parecer tanto assim com o ideal de beleza branco europeu, nota-se que as moças que ganham mais visibilidade e dinheiro com blogues e redes sociais são, em sua maioria, brancas, loiras, magras e de classe social média ou alta. Mas por que será?

Beatriz Andrade, do blogue Jeitinho Próprio
O ramo da blogagem sobre beleza, primeiramente, acaba ficando restrito somente às entusiastas com boas condições financeiras, pois para começar a falar de cosméticos e cabelo é necessário algum investimento inicial com produtos. Somente assim é possível chamar atenção de alguma loja ou empresa, que consequentemente pode vir a enviar mercadorias em troca de divulgação. Não é preciso muita investigação para descobrir que há uma grande disparidade de renda no Brasil, que se concentra em uma minoria branca da população.
Em segundo lugar, pouquíssimos produtos são feitos para mulheres que não se enquadram nesses padrões de beleza. São poucas as marcas de maquiagem que fabricam cosméticos para atender tons de pele mais escuros, assim como os produtos para cabelos são predominantemente voltados para promover os cabelos lisos. Por isso é tão difícil encontrar uma blogueira ou youtuber negra, de cabelos naturais e, especialmente, de pele escura.
É possível traçar hipóteses para explicar essa ausência ou falta de visibilidade das blogueiras e youtubersnegras. Afinal, elas existem – só não fazem tanto sucesso como as loiras. Ao fazermos um resgate histórico e sociocultural, revela-se que a internet ainda não é acessível a todos. Mas acima de tudo, resta a hipótese de que o público simplesmente prefere assistir a quem se encaixa no padrão de beleza branco e magro.
É essencial pesquisar e estudar mais profundamente essa área; afinal, um novo campo está se abrindo para as mais diversas vertentes do conhecimento. Para dar o pontapé inicial, vejamos o que algumas blogueiras e vlogueiras negras têm a dizer sobre o assunto.
Colaboração e sororidade entre mulheres negras
Rosângela José é uma vlogueira de 35 anos formada em Administração de Empresas. Sua experiência com o universo da beleza negra feminina na internet começou em 2009, quando decidiu parar de alisar os cabelos. Estimulada por amigas com quem já conversara a respeito de maquiagem, Rosângela começou a gravar vídeos e hoje é tida como referência por várias garotas no mundo virtual. “Eu acredito que as dicas compartilhadas no meu canal, o modo como eu lido com meu cabelo incentiva outras meninas e mulheres negras, até pelo retorno que tenho de algumas, através de comentários, e-mails e mensagens no Facebook”, reconhece. E ela está completamente certa; sua representatividade foi inspiradora o bastante para Beatriz Andrade, designer gráfica de 27 anos, que também é guru de beleza: “Ela é um mega exemplo, transborda  autoestima, ela é demais e sou super fã!”.
fernanda chaves do blog cantinho da nanda
Fernanda Chaves, do blogue Cantinho da Nanda
Os laços que essas mulheres, a princípio desconhecidas, criam entre si podem muitas vezes ser invisíveis e distantes, mas também podem culminar em parcerias que despertam debates políticos e sororidade. Um exemplo disso é o vídeo que Rosângela gravou com outra youtubernegra, a Fabiana Lima, do canal “Beleza de Preta”. Em meio a relatos de experiências pessoais e falas politizadas, as duas blogueiras levantam questões pertinentes para todas as mulheres negras, independente de qualquer interesse em cosméticos e produtos capilares.
Assim, fica perfeitamente evidente a relevância social da temática. Afinal, falar de “beleza” não é, necessariamente, falar de coisas fúteis e superficiais. Para as blogueiras negras, esse assunto é, em primeiro lugar, uma chamada de atenção para o ativismo social, especialmente os movimentos feministas e negros.
Resistência ao racismo
Para as blogueiras negras do ramo, não é nenhuma novidade: são frequentes os episódios em que o racismo se fez presente em seus canais e páginas. Passando-se por simples comentários ofensivos, até perseguições mais severas, quase todas as entrevistadas constataram ter presenciado racismo e que existe, de fato, preferência pelas moças brancas e loiras para divulgar e trabalhar com cosméticos.
No entanto, apesar das dificuldades, para algumas blogueiras os comentários positivos servem de fortalecimento – é o caso de Fernanda Chaves, mãe e dona de casa de 26 anos. Nanda – como é conhecida na internet – define-se como “neutra” quando o assunto é política, mas lamenta que ainda existam coisas como racismo e machismo. Ainda assim, ela salienta que as mulheres negras, em suas palavras, devem fazer a parte que lhes cabe e “mostrar que não são piores do que ninguém”.
michelle shirai do canal mi shirai
Michelle Shirai, do canal Mi Shirai
youtuber Gill Viana, que trabalha exclusivamente com os assuntos estéticos na internet, parece concordar com a ideia de que a melhor resposta para o racismo é fazer um bom trabalho. “Existe racismo em todos os lados e no YouTube e no mundo da blogosfera não seria diferente. Acho que vai de cada uma ir lá e buscar seu lugar ao sol, mostrando com seu trabalho que é tão capaz como outra qualquer”, diz a blogueira de 28 anos.
Beleza politizada
A paulistana Maraisa Fidelis é uma das blogueiras negras mais conhecidas no mundo dos cosméticos e, para ela, toda a questão é bem objetiva: “Você faz o seu trabalho e quem decide a audiência é o público. Se te assistem, as empresas te olham; se não te assistem, as empresas não te olham. Simples assim.” Apesar de reconhecer que há poucas mulheres negras protagonizando o mundo virtual da beleza no Brasil, Maraisa diz que nunca sofreu discriminação e que se esforça para não envolver assuntos como racismo em seu blogue, pois prefere deixar seu espaço voltado somente para os assuntos estéticos.
fernnandah oliveira do blog criloura
Fernnandah Oliveira, do blogue Criloura
Não obstante, a fala de Maraisa não pode ser tomada como fechada, uma vez que ela mesma reconhece a importância de seu trabalho no fortalecimento da autoestima de garotas negras. E não é à toa: há cerca de oito meses, a blogueira resolveu assumir seu cabelo natural e hoje embeleza o Youtube com seu crespo empoderado. Apesar de seu blogue não ser direcionado apenas às meninas de cabelo cacheado, certamente há muitas garotas que se sentem representadas e fortalecidas para seguir o exemplo deixado pela vlogueira.
Já Fernnandah Oliveira, mais conhecida como Criloura, foi uma das entrevistadas mais politizadas e seguras de sua fala. A assistente social de 36 anos domina o universo dos cabelos e maquiagens, mas também participa ativamente de grupos de discussão sobre machismo e racismo. Suas perspectivas são bem diferentes das de Maraisa: “Penso que a beleza está dentro de um processo de subjetividade da autoestima e da aceitação. A partir deste viés é possível apresentar como a cidadania, enquanto espaço e processo de reconhecimento e garantia de direitos e deveres, está diretamente ligada neste processo”, afirma. De modo similar, ela considera necessário expor e mexer nas feridas deixadas pelo racismo nos canais de beleza. “Para quem duvida, é só contar o número de blogueiras e vlogueiras negras que estão entre as tops e as brancas. É disparado ver como há uma diferença em números e qualidade, sobre a inserção de mulheres e homens negros neste universo de blogs e vlogs de moda e beleza”.
gill vianna do blog coisas de uma cacheada
Gill Vianna, do blogue Coisas de Uma Cacheada
Ainda sobre os possíveis vínculos entre a política e a beleza, a vlogueira Michelle Shirai, brasileira de 30 anos que mora no Japão, declara que nunca sofreu discriminação online, mas entende de forma muito positiva a sua influência política sobre sua audiência: “Meu trabalho com os vídeos não é só falar de beleza, mas também de encontrar a verdadeira identidade, crespa, cacheada, negra de pele escura ou clara, ter orgulho dos traços e formas. Envolve respeito e a minha união com muitas outras blogueiras e youtubers negras. Dá força, coragem e amor próprio de não ligar pro que a sociedade acha ou impõe como deveríamos nos vestir, ou usar os cabelos”.
Como pode-se perceber, a importância e a influência do trabalho das blogueiras e youtubers para as mulheres negras é evidente, até mesmo para aquelas que não são engajadas politicamente contra o racismo e a misoginia.
A beleza do ativismo
É extremamente importante que todas as mulheres negras que trabalham com moda, cabelo e cosméticos na internet saibam do potencial que seus espaços possuem para gerar transformação social. Essas ferramentas são tão pertinentes que, mesmo sem a intenção das blogueiras, as pessoas que as acompanham não permanecem as mesmas após assistirem a seus vídeos e verem suas fotos.
maraisa fidelis do blog beleza interior
Maraisa Fidelis, do blogue Beleza Interior
Infelizmente, ainda é impactante ver mulheres negras seguras de si, ostentando seus cabelos naturais e sem vergonha de seus traços faciais. Afinal, somos todos condicionados a valorizar e apreciar somente a beleza branca. Para as crianças negras envolvidas por nossa cultura, é ainda mais importante que esse trabalho continue a ser feito, possibilitando para elas uma autoestima muito mais segura e livre do racismo internalizado.
Nesse aspecto, todas as blogueiras entrevistadas falam sobre isso e, de certa forma, acabam sendo ativistas por meio do seu trabalho. Beatriz Andrade consegue definir esse processo quando diz que “a medida que compreende-se a autoestima, diminui-se o pré-conceito, pois o autoconhecimento provoca uma liberdade que nem o racismo ou machismo são suficientes para manter no cativeiro interior”. Sua mensagem, assim como de todas as outras gurus, é de que cada mulher negra se aceite e se ame, que supere as violências sofridas desde que veio ao mundo e que, a partir daí, mostre a que veio. Se isso não é militância, nada mais é.
rosangela jose do blog negra rosa rosa negra
Rosângela José, do blogue Negra Rosa, Rosa Negra
Fonte: www.revistaforum.com.br/digital/153/gurus-da-beleza-negra-na-internet/

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Moda “Afro-brasileira” na Angola Fashion Week

Muito se comenta sobre as semanas de moda realizadas em NY, Londres, Milão, Paris, SP e Rio, mas tem novas rotas que começam a atrair olhares no segmento fashion. Uma delas é Luanda, na África, que sedia o Angola Fashion Week, um dos principais eventos de moda do continente africano.



A fashion week reuniu algumas das principais marcas locais, além de algumas internacionais (a Neon brasileira apareceu no line up). E por falar em Brasil, um time de brasileiros foi convidado a participar do evento, que nesta edição foi produzido pela empresa Cia. Paulista de Moda, de Reginaldo Fonseca. Profissionais como Jackson Araújo, assinando a direção criativa do evento; Karlla Girotto, responsável pelo styling; André Veloso, que cuidou da beleza de todos os desfiles; e Renata Simões, que assinou os fashion videos. Um trio de celebs também foi destaque: Adriane Galisteu, Paola Oliveira e Patricia de Jesus.




  









Nas tendências apresentadas na passarela, percebe-se uma busca de valorizar a cultura do continente africano, além de resgatar a manufatura, com produtos exclusivos de ateliês, de confecção em pequena escala. Afinal, o “feito à mão” tem hoje importante inserção no mercado global e é sinônimo de Novo Luxo. Angola é um país com valiosos recursos naturais, sendo o mais glamouroso deles o diamante e a 14ª edição do AFW homenageou essa pedra rara.
















Fonte: http://www.geledes.org.br/moda-afro-brasileira-na-angola-fashion-week/

Ações buscam combater o racismo durante a Copa

O governo federal está promovendo diversas ações com o objetivo de realizar uma Copa Sem Racismo. Como trabalhos com as entidades ligadas ao futebol, aos árbitros e às torcidas organizadas para prevenir e conscientizar sobre a discriminação racial. Além disso, foi anunciada a criação do Disque Igualdade Racial ou Disque Racismo, um serviço que vai receber denúncias do crime por meio do número 138. Para ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, a mensagem contra o racismo deve se propagar durante e após o Mundial.




Fonte: http://www.geledes.org.br/acoes-buscam-combater-o-racismo-durante-copa/

Fifa faz nova campanha contra discriminação na Copa do Mundo



A Fifa iniciou nesta sexta-feira uma nova campanha contra a discriminação. Antes da partida entre França e Alemanha, no Maracanã, pelas quartas de final da Copa do Mundo, os capitães Hugo Lloris e Phillip Lahm leram no centro do gramado, em francês e alemão, respectivamente, um texto condenando qualquer tipo de preconceito. Pelo sistema do som do estádio, a mensagem foi transmitida em português:

— Rejeitamos qualquer tipo de discriminação de raça, orientação sexual, origem ou religião. Através do poder do futebol, podemos ajudar e livrar o nosso esporte e a nossa sociedade do racismo. Assumimos o compromisso de perseguir esse objetivo e contamos com você para nos ajudar nesta luta. 

Após a execução dos hinos, os 22 jogadores e o trio de arbitragem posaram para os cinegrafistas e fotógrafos com uma faixa onde se lia "Say no to racism", em português, "Diga não ao racismo".

A Fifa também lançou uma campanha convidando jogadores e torcedores a publicarem a mensagem #DigaNãoAoRacismo por meio de de selfies nas redes sociais. Algumas fotos com a mensagem foram sorteadas e exibidas nos telões do Maracanã. O mesmo acontecerá nos demais estádios que vão sediar os jogos das quartas de final, em Fortaleza, Salvador e Brasília.

Em entrevista ao site da Fifa publicada na quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, reforçou a necessidade de erradicar o racismo e todas as formas de discriminação no futebol.

— O objetivo é usar a plataforma dos grandes eventos do futebol para mandar um sinal claro a milhões de pessoas ao redor do mundo que acompanham o evento para que elas participem da luta contra todas as formas de discriminação. Por conta do impacto, especialmente por meio da influência dos jogadores sobre as gerações mais novas, o futebol pode desempenhar um papel importante nesta busca — disse.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/07/fifa-faz-nova-campanha-contra-discriminacao-na-copa-do-mundo-4543780.html

quarta-feira, 2 de julho de 2014

FUNAI estabelece contato com um povo indígena isolado

A Fundação Nacional do Índio veio publicamente informar que no dia 29 de junho de 2014 um povo indígena isolado estabeleceu contato com indígenas Ashaninka e servidores da Funai, na Aldeia Simpatia, na Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no estado do Acre. 


O contato ocorreu com a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira e o sertanista José Carlos Meirelles, da Assessoria Indígena do Governo do Estado do Acre. A FPE Envira vinha acompanhando a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. A permanência do grupo isolado na região ocorre de forma pacífica. 

No presente momento, a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém contatados – CGIIRC, juntamente com o Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI, do Alto Rio Juruá/Secretaria Especial de Saúde Indígena, encontram-se na região para dar início ao Plano de Contingência para Situações de Contato. A equipe de servidores no local está qualificando as informações por meio de interpretes para que haja maior conhecimento deste grupo indígena. 

A Politica de Proteção aos Índios Isolados da Funai tem a premissa do não contato, respeitando a autodeterminação dos povos e realizando o trabalho de proteção territorial com a presença destes. No entanto, são previstas ações de intervenção – planos de contingência – quando o grupo indígena isolado procura estabelecê-lo. 


Roça de índios isolados do Alto Rio Envira - Foto: Gleison Miranda/Funai 


Fonte: http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/2884-nota-da-funai